quarta-feira, 14 de outubro de 2009

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Em ago/2007 comecei a pensar em Educação a Distância e resolvi postar minhas primeiras impressões sobre EAD. Segue a transcrição do texto Educação a Distância escrita no  meu primeiro blog (http://tempideias.net.br/).


EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA



De acordo com o Decreto 5622/05, educação a distância é modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversas.

“Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantém distantes professores e alunos” (Moran, 2001)

No sítio da Associação Brasileira de Educação a Distância, lê-se sobre a experiência de um produtor de TV que evidencia esta revolução.

Conta-se que o produtor de TV recebeu a tarefa de fazer um vídeo sobre a criação de camarão. Na mesma, época, ele estudava Jornalismo (presencial). Ele tinha que fazer imagens da desova dos camarões, que acontece apenas durante uma época do ano e tinha que comparecer às aulas, independente de camarões ou desovas.

Então, ele se deparou com um dilema que muitos universitários também enfrentam: ou trabalhava para pagar a faculdade, ou ia para aula e perdia as oportunidades no mercado de trabalho.

Fala-se que agora o ex-aluno de Jornalismo desistiu definitivamente da educação presencial porque não conseguia compatibilizar seu trabalho de produtor de TV com as aulas. Então, hoje ele é aluno da 1ª fase de Administração a distância de uma Universidade Federal.

Freire (2003) diz: “o ensinar inexiste sem aprender e vice-versa”, e nesta dinâmica os educandos se modificam continuamente em sujeitos autores e construtores dos seus saberes. Por isso, “ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para sua produção ou a sua construção”.

Seja presencial ou a distância, a formação de professores é uma questão bastante discutida e pesquisada atualmente, principalmente no que se refere à construção do conhecimento docente.

Nesta perspectiva, estamos diante da construção de um novo paradigma na formação de professores, que visa superar o modelo tradicional positivista de educação. Assim, Neder In Preti (2005) aponta a educação a distância como “uma possibilidade de (re)significação paradigmática no contexto do processo de formação de professores”, pois esta modalidade favorece a interação entre os sujeitos, propiciando o diálogo, a troca, a construção coletiva, na qual o professor assume um novo papel no processo de ensino-aprendizagem, não somente de transmissor de conhecimentos, mas assume juntamente com os alunos uma posição de parceria. Dessa forma, a autonomia do aluno é um dos ideais educativos, pois ele é estimulado, instigado a buscar, exigindo assim, um grande comprometimento com a construção do conhecimento.

O Ministério da Educação acaba de editar a Portaria Normativa número 2, a qual dispõe sobre os procedimentos de regulação e avaliação da educação superior na modalidade educação a distância (EAD), em especial acerca do funcionamento de pólos de apoio presencial para realização dos momentos presenciais obrigatórios.

Este conjunto de medidas visa, unicamente, garantir que qualidade seja uma palavra permanentemente associada à modalidade EAD no País.

O preceptor tem que realizar um trabalho "real" de acompanhamento de seus alunos, presencialmente, na medida em que considera que seja preciso trabalhar esse ou aquele assunto. Assim sendo, o planejamento do preceptor deve conter para cada aluno, um tipo de estratégia pedagógica que deve ser aplicada, visando a colaborar com ele no alcance de seus objetivos acadêmicos.

Na sociedade da informação todos estão reaprendendo a conhecer, a comunicar-se, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social.

É imprescindível compreender que na esfera educacional já não há espaço para papéis fixos como: Quem ensina e quem aprende? Quem pensa e quem faz?Quem lidera e quem é liderado? Quem decide e quem executa?

Desta forma, o que destacamos de mais interessante em realizar dentre as atribuições do preceptor?

Sem dúvida o mais interessante é justamente o entrar em contato com o aluno para motivá-lo à realização das atividades e alertá-lo sobre prazos e avaliações.

Em assim fazendo, preceptor e aluno questionam, interagem, conhecem...Percebe-se então, que aprender e ensinar não são realidades estáticas, são processos dinâmicos; não permitem papéis únicos, predeterminados.

Procuram constantemente realizações mais elevadas e melhores métodos. Suas vidas são de contínuo crescimento. No trabalho de um educador-mediador em EAD, há uma exuberância e poder vivificador que despertam e inspiram seus “pupilos”.

Segundo MORALES (1951): "não se pode ensinar diretamente a uma outra pessoa, pode-se tão somente facilitar-lhe a aprendizagem".

Desta forma, deve-se valorizar o potencial do estudante juntamente com a sua bagagem de conhecimentos adquiridos durante a sua vivência e juntamente com ele aperfeiçoar tais conhecimentos e construir outros, mostrando a ele que o processo de aprender tem um objetivo que vai além da sala de aula, faz parte da sua vida.

Desenvolver uma prática educativa producente consiste em proporcionar ao aprendiz um contato direto com os instrumentos que compõem o conhecimento que se deseja construir, isto é, no processo ensino aprendizagem maiores resultados são alcançados quando se "aprende fazendo". Portanto a aprendizagem ativa, participativa é superior à passiva e puramente dependente.

”O essencial, com efeito, na educação, não é a doutrina ensinada, é o despertar” (Ernest Renan)

É muito importante que todo educador tenha em mente o seguinte princípio: "não se ensinou, se ninguém aprendeu", logo se não houve uma aprendizagem autêntica, o educador-preceptor-mediador-facilitador tem obrigatoriamente que mudar a estratégia. Sua principal função consistirá em orientar o aprendiz em suas descobertas e aprendizagens. Isso implicará em uma guinada em direção a uma aprendizagem centrada no aprendiz.

Participar ativamente de um processo ensino-aprendizagem pressupõe desenvolver o cooperativismo além da autonomia. Tais competências são atributos importantíssimos para o novo mundo que se desenvolve freneticamente à nossa frente.


REFERÊNCIAS



Freire, Paulo. Educação o sonho possível. In: BRANDÃO, C.R. (Org.). O Educador: vida e morte. 7.ed. Rio de Janeiro : Graal, 1986.



__________. Pedagogia da Autonomia - saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003.



Legislação EAD - Portal Mec





Morales, Alfredo A. O Desafio de Ser Educador. Porto Alegre, RS: La Salle, 1998.



Moran, José Manuel. Ensino e aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas. (IN): MORAN, José Manuel (org.). Novas tecnologias e mediação pedagógica.Campinas: Papirus, 3º ed. 2001.



Morin, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.



Perrenoud, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens - entre duas lógicas. Porto Alegre : Artmed, 1999.



Preti, Oresti (Org.). Educação a Distância: Sobre discursos e práticas. Brasília: Líber Livro Editora, 2005

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